02/12/2018

HISTÓRIAS QUE EU TENHO PARA CONTAR: A GUINÉ-BISSAU UM PAÍS DE MACHISTAS - A ASSEMBLEIA NACIONAL POPULAR UM DOS GRANDES NINHOS DESTA ESPÉCIE


Estamos todas/os chocadas pelas declarações misóginas de um deputado que por infeliz e desastrosa coincidência até é o Presidente da Comissão Especializada Parlamentar para os assuntos da Mulher e Criança. Mas na verdade uma observadora atenta do que se passa à volta destes assuntos de mulheres/igualdade pode muito facilmente perceber a leviandade, a ligeireza o coquetismo (difícil de engolir) com que os homens deste órgão de soberania, os nossos deputados lidam com o assunto MULHER. Estes "senhores" são sempre tão bem educados, ficam sempre tão contentes e aparvalhados em ter tantas mulheres no Parlamento, são sempre tão cavalheiros, dão-nos cadeiras para sentar, chamam-nos as "nossas mulheres", dizem que " elas não podem ficar de pé", dizem " ...elas são boniiitas", em conversas entrecortadas um deputado diz ao outro ..." ehehe vocêêê ..eu sei..gosta de coisas boooaas..." . Minhas/meus camaradas este era o ambiente reinante nas sessões de debate parlamentar em que as mulheres estiveram presentes em massa no Parlamento. Quem observa com olhos de ver e ouvidos de ouvir percebe que o caminho a trilhar é longo. As mulheres não estão lá para ouvir piropos nem são "coisas boooas". Que ordinariçe , que falta de respeito, que falta de cultura . Mas assim foi. Para além de lidar com este tipo de boçalidade temos ainda os que não obstante serem bem formados e constituirem um grupo que poderia servir de suporte à luta pela igualdade pouco ou nada fazem porque não se prepararam minimamente para este debate sobre a lei da paridade . Foi simplesmente degradante ver o tão pouco ou nada alguns deste deputados esclarecidos e bem preparados sabiam da lei de paridade. Não tinham lido uma parágrafo sequer da lei que estava em discussão. Não sabiam absolutamente nada sobre o processo desta lei. Não lhes interessava minimamente , não estavam nem aí. Mais valia terem estado calados porque prestaram um péssimo serviço às mulheres e ao país. Depois destas intervenções perdi o fôlego, perdi a energia de que dispunha para trabalhar sobre esta questão tão importante para o desenvolvimento de qualquer país. O conhecimento e o interesse por este assunto está muito aquém do desejado roçando o estado primitivo .

O ter caído a questão da alternância no artigo 4/2 faz parte do processo. Aceito melhor este facto do que o ambiente descrito acima que eu pude observar. Saí do parlamento antes da votação. Não por tristeza pela queda da citada alínea do artigo mas porque sentia-me enjoada e exausta perante um cenário tão desinteressante.

Alerto a todas as mulheres desta terra que estejam atentas que não permitam "charlaçarias" e muito menos atitudes coquetes quando o assunto é de trabalho ou quando o assunto é mulher. A isto chama-se "ATITUDES DE DOMINAÇÃO" dos machos . Infelizmente este país está cheio deles e o Parlamento não é exceção.

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