A propósito da minha afirmação “ A Guiné Bissau é um país de
mulheres machistas” publicada pela agência Lusa e reproduzida pelo CM e JN
de Portugal gostaria de esclarecer o seguinte : esta entrevista foi-me solicitada como
parte de uma grande reportagem que está a ser preparada por dois jornalistas (um guineense e uma portuguesa) sobre a excisão feminina e foi neste contexto que a conversa se desenrolou e fiz algumas afirmações
entre as quais esta que não nego, aliás confirmo. No entanto muito mais foi dito e não me foi explicado
no momento da entrevista que esta também seria usada para publicação
imediata e muito menos com esta carga sensacionalista
e até negativa com que surge nos meios de comunicação social. Pode ter
havido um mal entendido e, por isso, não quero que esta minha
nota seja entendida como um desentendimento entre mim e os jornalistas em causa, isto
porque, são profissionais pelos quais nutro um grande respeito.
Permitam-me, aqui, muito humildemente e
publicamente pedir desculpas a todas as minhas compatriotas que se sentiram
lesadas por estas minhas afirmações. Não há mulheres machistas na Guiné-Bissau
? Há sim e muitas. Mas também há outras e são muitas as mulheres que têm vindo a
trabalhar e a batalhar para que o papel das mulheres seja reconhecido e
considerado em todos os domínios da vida pública deste país. São mulheres
capazes, combativas e de muito valor que muito têm contribuído nesta longa e dolorosa caminhada que temos vindo a fazer.
Não fosse o papel interventivo, corajoso e persistente destas mulheres hoje não
estaríamos a falar dos direitos das mulheres e muito menos de uma lei de cotas que muito se deve ao trabalho persistente,
coordenado e solidário das várias organizações de mulheres guineenses .
Hoje mais do que nunca o trabalho das várias redes de organizações de mulheres têm mostrado os seus frutos. Mais do que nunca
as mulheres têm conseguido trabalhar na mesma direção . Por isso mesmo mais uma
vez aceitem as minhas desculpas e acreditem que eu, mais do que ninguém acredito
na força das mulheres, na
solidariedade entre as mulheres e de que só juntas poderemos chegar onde
queremos e onde por direito devemos
estar e iremos estar . Por isso mesmo a
Guiné não é nem nunca será um país de apenas “mulheres machistas”.
Helena Neves Abrahamsson
Helena Naves Abrahamsson
Presidente Mulheres Juristas