21/10/2018

Nota à notícia publicada pela Agência Lusa e reproduzida pelos jornais Diário de Notícias e Correio da Manhã de Portugal a 18 de Outubro de 2018

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A propósito da minha afirmação “ A Guiné Bissau é um país de mulheres machistas”  publicada pela agência Lusa e reproduzida pelo CM e JN de Portugal gostaria de esclarecer o seguinte :  esta entrevista foi-me solicitada como parte de uma grande reportagem que está a ser preparada por dois jornalistas (um guineense e uma portuguesa) sobre a excisão feminina  e foi neste contexto que a conversa se desenrolou e fiz algumas afirmações entre as quais esta que não nego, aliás confirmo.  No entanto muito mais foi dito e não me foi explicado no momento da entrevista que esta também seria usada para publicação imediata e muito menos com esta carga sensacionalista e até negativa com que surge nos meios de comunicação social.  Pode ter havido um mal entendido e,  por isso, não quero que esta minha nota seja entendida como um desentendimento entre mim e os jornalistas em causa, isto porque, são profissionais pelos quais nutro um grande respeito.  

Permitam-me, aqui,  muito humildemente e publicamente pedir desculpas a todas as minhas compatriotas que se sentiram lesadas por estas minhas afirmações. Não há mulheres machistas na Guiné-Bissau ? Há sim e muitas. Mas também há outras e são muitas as mulheres que têm vindo a trabalhar e a batalhar para que o papel das mulheres seja reconhecido e considerado em todos os domínios da vida pública deste país. São mulheres capazes, combativas e de muito valor que muito têm contribuído nesta longa e dolorosa caminhada que temos vindo a fazer. Não fosse o papel interventivo, corajoso e persistente destas mulheres hoje não estaríamos a falar dos direitos das mulheres e muito menos  de uma lei de  cotas  que muito se deve ao trabalho persistente, coordenado e solidário das  várias organizações de mulheres guineenses .
Hoje mais do que  nunca o trabalho das  várias redes de organizações de mulheres  têm mostrado os seus frutos. Mais do que nunca as mulheres têm conseguido trabalhar na mesma direção . Por isso mesmo mais uma vez aceitem as minhas desculpas e acreditem que eu, mais do que ninguém acredito na força das mulheres,  na solidariedade  entre as mulheres  e de que só juntas poderemos chegar onde queremos e onde  por direito devemos estar  e iremos estar . Por isso mesmo a Guiné não é nem nunca será um país de apenas “mulheres machistas”.

Helena Neves Abrahamsson



Helena Naves Abrahamsson
Presidente Mulheres Juristas


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