O EMBALO DA MEMÓRIA
Oiço o eco da minha sina
Grito para não me ouvir
Apresso o passo para que não me alcance
Mas é na frente que nos cruzamos
É o Outono
Presença discreta que vai surgindo
no lento branquear dos meus fios de prata
Silenciosa move-se sobre a minha sombra
Esta que teima em curvar-se sobre os teus pés
De tanto guardar o que foi nosso
Tornou-se miragem o tempo que nos espera
Quando chegar a colheita
Já não teremos braços
Nem alma para embalar tanta memória
Nhara Sikidu
Bissau, Março de 2015